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Discurso da deputada Janete Capiberibe em homenagem ao líder cubano José Martí
Partido Socialista Brasileiro - PSB
01/12/2007 - 17:59
Senhor Presidente;
Senhoras e Senhores parlamentares;

José Martí poderia ser sintetizado como aquele que entregou toda sua vida à causa do povo cubano e dos demais povos do nosso continente. Mas creio que essa seria uma afirmação insuficiente para definir um homem que alcançou uma vasta cultura como poucos em sua época: o domínio da literatura, da poesia e do jornalismo. E ainda encontrava tempo para dedicar-se à política.
Poderíamos também abordar sobre suas crônicas jornalísticas, suas análises de distintos aspectos da realidade política, econômica, social e cultural. Ou sobre sua obra dedicada às crianças latino-americanas, publicada semanalmente na revista A Idade de Ouro, na qual ele era o redator e o brasileiro A Dacosta Gomez, era o editor.
Porém, diante dessa “amazônia” de conhecimentos, me reportarei apenas sobre seu ensaio “Nuestra América”, publicado em 1891 nas páginas da “Revista Ilustrada” de Nova Yorque. Sua leitura nos esclarece com amargor justificado que andamos duzentos anos de atraso a respeito de nossas necessidades históricas e sociais. Martí reconhecia em Simón Bilívar o “pai” que havia deixado inacabada a tarefa que ele continuou com fervor perseverante, até que poucos anos depois o interrompeu a morte no campo de batalha pela independência não só de Cuba, mas também da América latina e do Caribe.
É que não podemos repetir em detalhes o que esse ensaio martiano contem de lição perdurável para estas terras americanas.
Ele nos ensinou que “nem o livro europeu nem o livro Yanqui dão a chave do enigma hispanoamericano”. Lembrou que a “universidade européia há de ceder à universidade americana”, e mais, que “a história da América... deve ser ensinada minunciosamente, mesmo que não se ensine a dos Arcontes da Grécia”, uma vez que, reafirmava, “nuestra grécia nos é preferível à Grécia que não é nossa. Pois nos é mais necessária”. Considerou possível inserir em nossas repúblicas o mundo, porém advertia que “o tronco há de ser de nossas repúblicas”. Nos aconselhou a fazer da causa dos oprimidos uma causa comum “para afiançar o sistema oposto aos interesses e hábitos opressores”.
Martí nos deixou uma advertência muito clara: “O desdém do vizinho formidável, que não a conhece, é o perigo maior de nossa América; e urge, porque o dia da visita está próximo, que o vizinho a conheça, a conheça logo, para que que não a despreze”.
Por essas razões, José Martí enalteceu a necessidade de identificar nossos povos: “O vinho -disse ele-, de banana; mesmo sendo azedo, é nosso vinho!”
Finalizo enfatizando que Nuestra América é um ensaio não apenas elucidativo a respeito dos nossos povos. É, por sua essência conceitual e proposta prática, uma mensagem que expressa sinteticamente a enorme riqueza e radicalidade em seus enfoques e, projeções. Sem lugar a dúvida, é um ensaio de projeto revolucionário latino-americano de fôlego e de atualidade sem precedente.
Portanto, diante dessa globalização unipolar, que prega a falênca da soberania dos povos, que está mais para a barbárie do que para civilização, nos serve de alento a perseverança e o exemplo de luta do povo cubano, de seus líderes, Fidel, de Raúl e de Che, que caminham na trilha de Martí, porque assim vislumbrou o profeta da Revolução Cubana: “O melhor modo de servir é se fazer respeitar. Cuba não anda como mendiga mundo afora: anda como irmã e trabalha como quem possui tal autoridade. Ao salvar-se, salva. Nossa América não lhe faltará, porque ela jamais faltou com a América.”

Muito Obrigada.

Deputada Federal Janete Capiberibe - PSB/AP

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