Eliane Novais *
Terremotos, tornados, vulcões que voltam à ativa após milhares de anos, avanço do mar nos litorais de vários países, aumento da temperatura global. Os recentes eventos climáticos que nosso planeta vem sofrendo são claros sinais de que a natureza está passando por profundas transformações. Estas mudanças têm uma origem: a ação predatória do homem. O Painel Internacional de Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC, na sigla em inglês), respeitada autoridade em estudos sobre aquecimento global, comprovou em relatório divulgado ano passado, que ações do homem são a causa do aquecimento do planeta nas últimas décadas. Os fenômenos climáticos que assistimos hoje, com intensidade, são respostas da natureza, um alerta para que as devidas providências sejam tomadas urgentemente.
No Brasil, nossa Mata Atlântica foi dizimada, restando-nos uma pequena fatia que luta para sobreviver. Na Amazônia, a ganância desenfreada de poucos elimina, rapidamente, o que nos resta de floresta. Para se ter uma idéia, só entre 2006 e 2007, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente, houve um desmatamento de 11.224 km² de floresta. Em nível local, o Parque do Cocó, o maior parque ecológico urbano da América Latina, com sua exorbitante fauna e flora, está sendo acuado pelo desordenamento urbano.
Esta exploração desenfreada do homem sobre o meio ambiente chegou ao limite. Segundo o IPCC, em futuro próximo, a evolução das mudanças climáticas provocará forte impacto na saúde pública em todo o planeta, aumentando a escassez de água e fazendo com que 200 a 600 milhões de pessoas enfrentem falta de alimentos no mundo.
Precisamos dar um basta nesta situação. Não podemos calar ou permanecer inertes diante dos crimes ambientais. Não se trata apenas de mudanças na legislação ambiental e políticas públicas para este setor (que são essenciais), mas de pensarmos coletivamente em uma política de desenvolvimento sustentável, para além do crescimento econômico. A conscientização parte de cada um de nós, cidadãos. Reconhecer a importância de se preservar o meio-ambiente é o primeiro passo. Só assim poderemos construir um modelo de sociedade mais humano e solidário.
(*) Segunda vice-presidente do Partido Socialista Brasileiro no Ceará (PSB-CE)