Ariosto Holanda*
O nosso atual modelo de desenvolvimento que tem como carro chefe o
mercado, não só concentra a riqueza, mas aprofunda a pobreza.
O presidente do Ipea, Marcio Pochmann, apresentou, recentemente,
alguns indicadores sociais que exigem reflexão:
a) O Brasil tem o 12º PIB mundial, mas ocupa o 63º Índice de
Desenvolvimento Humano - IDH; b) 10% da população concentram 73% da
riqueza do país; c) o programa bolsa família transfere sete
bilhões/ano para 60 milhões de pessoas; d) vinte mil clãs detêm 80%
dos títulos da dívida pública que lhes rendem R$ 140 bilhões por ano.
e) Só 35% dos jovens de 15 aos 18 anos estão matriculados no ensino
médio; no Chile esse número chega a 85%.
Por sua vez, o Ibope ao publicar o 3º Inaf Indicador Nacional de
Alfabetismo Funcional (Inaf) apresentou um quadro preocupante no
tocante à qualificação profissional. Ao analisar a população na faixa
etária de 15 a 64 anos, Inaf identificou que existem 115 milhões de
brasileiros, mas só 30 milhões têm qualificação para entrar no novo
mercado de trabalho que exige conhecimento.Os restantes foram
classificado como analfabetos funcionais.
Já estamos nos deparando com situações onde temos de um lado pessoas
procurando emprego e na contramão trabalho procurando profissional.Os
pequenos segmentos produtivos, sem condições de acesso às inovações,
não conseguem competir e por isso têm uma alta taxa de mortalidade.
O que nos levou a essa situação? Na minha visão, entre outros fatores,
a grave questão educacional em todos os níveis. Ao contrário da
Coréia, Irlanda, Finlândia e outros, onde a educação foi bem sucedida,
no Brasil temos, na média, uma educação de má qualidade e sem nenhum
enlace com os planos de desenvolvimento. Naqueles países a educação
foi programada para atender a um projeto de nação, daí a sua forte
ligação entre o planejamento econômico e o educacional e o compromisso
pactuado entre governo, professores, pais e alunos.
O nosso atual modelo de desenvolvimento que tem como carro chefe o
mercado, não só concentra a riqueza, mas aprofunda a pobreza, porque,
pela regra do mercado, os analfabetos funcionais vão ser excluídos e
as pequenas empresas não irão competir.Devemos então, criar nova CPMF
para continuar aumentando o número de bolsas-família? Enxergo como
saída emergencial, a criação de mecanismos de transferência de
conhecimentos para a população a fim de atender a demanda do
conhecimento exigido pelo mercado ou pelos planos de desenvolvimento.
Nessa linha, o Ceará pode servir de exemplo para o país. Destaco o
empenho e a determinação do governador Cid Gomes quando, se colocando
à frente do problema, constituiu um grupo de trabalho para equacionar
a questão da educação profissional. Algumas diretrizes já foram por
ele estabelecidas, como a da implantação de um Centro de Educação a
Distância, a revitalização dos 33 CVTs, a implantação de 10 CVTECs, a
criação do Instituto Federal de Ensino Tecnológico com 10 Cefets, 10
Unidades de Extensão, e 50 Centros de inclusão Digital.
Parabéns governador. Esse é o nosso maior desafio: educação para o
desenvolvimento.
(*) Deputado federal pelo PSB-CE
Artigo publicado no jornal O Povo, de Fortaleza, em 24/06/2008