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28/08/2008 - 08:54
Em entrevista à colunista Rosângela Bittar do Jornal Valor Econômico, o vice-presidente do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Roberto Amaral, disse que este não é a ocasião para discutir as eleições de 2010. “Quer desestabilizar o governo, discute a sucessão”, declarou Amaral, afirmando que o momento exige debates nacionais em torno de um projeto de país.
Na semana passada, o tema das eleições presidenciais foi abordado no blog do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT). Na forma de entrevista com o presidente do PCdoB, Renato Rebelo, Dirceu iniciou o debate sobre negociações de alianças para 2010, “numa tentativa de amarrar, com precipitação, os destinos do PSB, PCdoB e PDT ao projeto do PT”, comentou a colunista.
Confira abaixo, a opinião de Roberto Amaral à colunista Rosângela Bittar, publicada no Jornal Valor Econômico, no dia 20 de agosto:
“Com nuances, é esta a argumentação que se vê agora, no PSB, contra o alinhamento automático ao PT proposto pelo PCdoB na entrevista de Renato Rebelo. O vice-presidente dos socialistas, Roberto Amaral, afirma que se não houver uma razão eleitoral para estes partidos de esquerda estarem juntos, o bloco perde sua razão de ser. "Passa a ser um bloco parlamentar, não político", afirma. E não entende como adequada, para o momento, a discussão sobre 2010 a um nível tão avançado. "Quer desestabilizar o governo, discute a sucessão".
O dirigente socialista destaca os méritos do governo Lula, diz que não é um ponto de chegada, mas de partida, e defende que o candidato à sucessão do presidente, pelo qual se deve lutar dentro do bloco de esquerda, deve ser alguém que "mantenha esse projeto popular de Lula e o aprofunde". Todos os partidos, na sua opinião, têm direito a pleitear esta escolha. "Pelo menos os que têm nomes nacionais, e o PSB tem o Ciro Gomes, o Eduardo Campos e a Luiza Erundina". Entretanto, pondera, não devem os políticos da esquerda discutir candidatura agora. O PSB, inclusive, segundo informa, não aprovou sequer o princípio da candidatura própria.
A esquerda, diz Roberto Amaral, tem que discutir um programa, um projeto de país, promover debates nacionais. "Temos que definir qual vai ser nossa postura em 2009, que reforma política a esquerda pretende fazer, como vão se reorganizar as Forças Armadas, como tratar este futuro do país que está no litoral - com o pré-sal e o gás".
As grandes questões do mundo - a crise financeira, "que pega o fígado do capitalismo"-, a energia, os alimentos, a água, encontram o Brasil, na avaliação do dirigente socialista, bem equipado para enfrentá-las e contribuir para sua solução. "Mas qual o projeto do país agora, que temos alimentos, energia, água? Rodo o país inteiro e não estou vendo esta discussão". A oposição não debate nada, assinala. A omissão, nota, é não só dos políticos, mas também da imprensa e da sociedade.
Desqualificando mais uma vez as definições precipitadas, o vice-presidente do PSB conclui: "Só com a visão do país terei a visão do meu candidato ideal". “
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